Propaganda política do PP (ex- PPB, ex-PPR, ex-PDS - um dos que engraxavam os coturnos dos milicos, dá pra entender tanta mudança de nome agora?), como eu tava falando, propaganda política deles na TV:
"1985. Maluf e Tancredo Neves DESAFIAM os militares e REALIZAM as Diretas Já."
"2005. Severino Cavalcanti é eleito presidente da Câmara dos Deputados. A democracia brasileira está, enfim, consolidada".
Deixo os comentários para os improváveis leitores.
Quinta-feira, Junho 30, 2005
A História é massinha de modelar
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Diego Franco
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8:39 PM
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Quarta-feira, Junho 29, 2005
Eu avisei.
Quem não assistiu o Brasil 4 x 1 Argentina na voz do Silvio Luis (Bandsports) perdeu a chance de ter um fim de tarde absurdamente divertido.
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Diego Franco
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7:02 PM
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Quarta-feira, Junho 22, 2005
Fermento
Joana, com aquele sorriso que chega-assusta, falou pra mim no IDCH que leu o Padre Hippie, gostou da linhas, e ia adicionar no Narghee~la.
A hora que vi o nominho diego, ali no canto esquerdo, perto de cardoso, jp cuenca (e outros deste mesmo tamanho) fiquei até me crescendo pra cima de mim mesmo, pra usar uma expressão lá do Tripa Nelas Tudo.
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Diego Franco
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5:12 PM
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Jetsons
É só pra mim que, de vez em quando, "forno de microondas" soa como se fosse uma máquina de teletransporte no meio da cozinha?
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Diego Franco
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5:10 PM
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Domingo, Junho 19, 2005
O maior de todos continua o maior de todos
Teve uma época em que descobri o futebol. Isso foi há uns doze anos, mais ou menos, mas com a descoberta passei a jogar religiosamente, com a rapaziada da rua, logo que voltávamos da escola. Durou uns bons cinco anos essa fase, e poucos foram os dias em que não participei de pelo menos um "três dentro três fora" e de uma "linha" no portão de alguém - aquecimento antes do rachão geral no asfalto.
Futebol de rua, quem se desenvolveu nesse ambiente tá ligado que os joelhos eram substituídos por uma crosta de sangue seco de tanto se ralar nos carrinhos cabulosos; sabe também a manha da guia, onde o drible da vaca comia solto na tabela com o meio-fio. E aquela malandragem na hora que passava um carro: se a bola tava contigo na hora que todo mundo parava pro carro passar, pra que esperar até o fim? Passou de você, corre e chuta entre os chinelos, os tijolos... entre o que estivesse simulando as traves no momento, cinco pés era a medida.
Cada moleque morria pelo seu time preferido. Queria ser reconhecido como um dos jogadores que faziam a fama no clube do coração e com o qual mantinha semelhanças no estilo de jogo. O raçudo corintiano comemorava um desarme gritando "ZÉ ELIAS!!!", o são-paulino habilidoso era o Juninho, já o palmeirense meio cérebro, armador, curtia a comparação com o Zinho.
Os jogos, mesmo quando eram um "contra" com o time da rua de cima (clássico como um Fla-Flu, Palmeiras X Coríntians) mantinham o ar de brincadeira. Até as tretas que aconteciam - e essas não eram necessariamente entre o nosso time e os arqui-rivais, brigávamos saudavelmente entre si - nem de longe lembram o ódio com que duas pessoas hoje são capazes de se atacarem.
Esse clima bom era completado por uma maneira de conduzir o jogo que transpirava descontração. Narrávamos o jogo ao mesmo tempo que carregávamos a pelota. Mas nesse quesito não tinha competição. O nosso narrador-modelo sempre foi o Silvio Luís. Hoje, como naquela época, ele engrandece os jogos no Sistema Bandeirantes de Rádio e Televisão. Tem até uma coincidência aí: unanimidade entre a molecada da época só o Silvio Luís e a "Sexta Sexy", os dois na Bandeirantes.
Mas o tempo passou como sempre passa, meu futebol de rua foi substituído por futebol nenhum, e os jogos da TV, por pura preguiça, ficaram pela Globo mesmo.
Isso foi bom.
Porque quando eu tive a sorte de sintonizar o Brasil 0 X 1 México no Bandsports, tava lá a voz do véio: lembrei de toda essa história que eu contei aí em cima e percebi que pra ele, esse tempo quadrado e careta da TV não chegou. Até o rosto parece a mesma ilustração do Crumb que era em 93.
E as expressões!?
Eeeeeeestá va-lendo! - início de QUALQUER JOGO
Olho no lan-ce! - jogada de perigo
Quei-(oitava abaixo)môôô... queimou o filme na área do guarda-metas - gol contra a seleção
E olha que as expressões pra momentos fortes do jogo são a parte mais superficial da narração do Silvio Luís. Essas são obrigatórias pros narradores - até o Galvão tem o tucano "Bem amigos". O foda mesmo é o jeito de narrar o toque de bola, a movimentação corriqueira dos jogadores. Não se obriga a narrar o que não precisa, "conversa" com os jogadores, usa as mesmas palavras que a molecada usava nos jogos da rua. Estilo "ó o ladrão!", "não sabe deixa..." e várias outras que só quem jogou o futebol das ruas conhece.
Não é à toa que ele era o ídolo da gente naquela época.
Ele tem na garganta o que a gente tinha nas pernas raladas.
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Diego Franco
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8:15 PM
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Sábado, Junho 18, 2005
Privilégio é caminhar de boa, sem nenhuma pressa, numa manhã de sol forte e vento frio, com alguma música do Mombojó na cabeça.
Além da ressaca, te lembrando a todo momento a noite anterior.
Ah, a noite anterior.
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Diego Franco
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8:44 PM
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Quinta-feira, Junho 16, 2005
Vingança
Mal terminei o post abaixo, o SoulSeek previu essa crítica leve e tratou de travar geral meu computador. Me obrigou a resetá-lo.
Frustrou a baixaria, até então perfecta, do Tortoise (TNT), uma coletânea Grime firmeza e o tal do Skalpel, que tanto demorou pra figurar entre os baixáveis.
(Cá entre nós: cuzão)
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Diego Franco
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8:37 PM
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Esses dias atrás rolou em São Paulo o ótimo (de péssimo nome) festival 4Hype. Música, debates, gringalhada em peso, instalações que interagiram horrores com minha consciência momentâneamente expandida... enfim, a bagaça foi afudê.
Minha preguiça me permitiu somente a ida ao dia de encerramento, que entre outras atrações, apresentou a DJ Rekha. Pelo que li e ouvi, a moça libera pelas carrapetas um estilo eletrônico chamado banghra. Algo como um dancehall árabe. Musiquinhas deveras chatas, mas os alguns momentos de explosão proporcionado pelas poucas ótimas músicas (uma delas, lógico, Galang/M.I.A.) me impressionaram e me levaram a adicionar ao Wishlist do compadre SoulSeek a palavrita banghra.
Pois.
Desde então, é só estar on-line no pássaro que ele gralha a toda hora banghra.Só que é sempre a mesma inacreditável música: All That She Wants, do Ace of Base.
(Vem comigo nos parênteses 90's. Onde você estava em 1995? Eu tinha 14 anos, e gostaria de impressionar algumas mocinhas nos bailinhos de garagem promovidos ao menos uma vez por mês pela molecada do bairro. Uma das músicas que OBRIGATORIAMENTE deveriam ser tocadas - e dançadas com extrema desenvoltura para as malignas pré-adolescentes femininas - estava essa que voltou agora, dez anos depois, a me assombrar via SoulSeek.)
Lógico que eu baixei o fantasma, esperando que ao mix sem sal reggae-pop se somassem derbaks estrilados, samples de cítaras e gemidos de cantores árabes, mas nada: é praticamente a MESMA música do bailinho.
Arranquei a palavra do Wishilist, deletei o arquivo do diretório e com fúria fui à lixeira virtual.
Tem certeza que deseja excluir o arquivo?
SEM DÚVIDAS!
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Diego Franco
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8:02 PM
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It's All Around You
JP Cuenca publicou o texto abaixo há dois meses, no Jornal do Brasil, e também no blog dele. Calhou do Winamp mandar "It's All Around You", do Tortoise, bem na hora em que eu comecei a ler.
Não acredito em ninguém que me diga que a rapaziada do Tortoise não fez do texto papel de parede do estúdio em que gravaram essa música. Pode ser também que o JP tenha escrito ouvindo, mas repetindo a experiência parece justamente o contrário.
No mais, é bom descobrir alguém que escreve tão bem tão simples, sem precisar imprimir o texto em papel higiênico usado pra causar frissonzinho. Ainda que esta descoberta valide ainda mais meu anacronismo de padre hippie, já que JP Cuenca só pra mim é novidade.
O texto, né? Taí:
CRÔNICA
Carta aberta para um amigo além-mar
(Jornal do Brasil, 30.04.2005)
Caro Chico, li o e-mail que você me mandou mas não tive tempo de respondê-lo antes. Fico feliz em saber que tudo vai bem por aí: os estudos, o trabalho e a mulher. Manda beijo pra Ana. Tenho saudades de vocês, temo que fiquem por aí de vez. Há dias em que acho que seria bom negócio. Lembro que você estava assustado com a leitura dos jornais brasileiros pela internet e me perguntou se o bicho estava pegando mesmo por aqui.
Está, não está. Tudo continua dando um jeito diferente de continuar igual. Os senhores barrigudos de sunga continuam tomando chope no boteco da esquina da Paissandu, as meninas com roupa de lycra continuam rebolando pelos quarteirões e os sujeitos continuam cada vez mais fortes e altos - se continuar assim, nossos netos terão dois metros de altura e 130 quilos. O nosso Mengão continua numa eterna hora da xepa, sétimo técnico em 16 meses. Fluminense levou o título do estadual num jogo roubado (como sempre) e a seleção do Parreira continua com o jogo embaçado.
A maioria dos nossos amigos continua encostada na casa dos pais, reclamando da vida, sem bom emprego e sem grana no bolso. A TV continua cada vez pior e cada vez mais batendo recordes de audiência, 80% de share, retorno total de mídia. A música que toca na rádio continua cada vez mais conchavos e jabá. A polícia continua metendo bala, os traficantes também. Lula, Garotinha e Cesar continuam agindo como três patetas do inferno. E o povo na mesmíssima: esgarçado no meio do tiroteio. A coisa aqui, meu caro, tá pretíssima.
Nunca saí tão pouco à noite. A última moda são aquelas festinhas anos 80, lembra? Perderam a graça em 1995, mas ninguém notou. Por semana aqui no Rio são no mínimo dez. Lotam o Circo Voador. No século passado, o Circo lançava tendência. Hoje em dia a tendência é a banda cover de música ruim. Barrigudinhos de 30 anos que não viveram a adolescência se olham no espelho retrovisor, ajeitam a camisa para dentro da calça, tentam recuperar o tempo perdido. Adolescentes difusos pegam nostalgia emprestada - zumbis de olhar ermo, mendigando sentido. Tocando o gado, os organizadores ganham boa grana com a indigência existencial dos outros. E quer saber? Estão certíssimos. Há de se ganhar o qualquer um e a vida.
Sabe aquela música do Bob Dylan, People are crazy and times are strange? Não chego a ficar raivoso como antes. Você deve se lembrar como eu era, Chico. Hoje só consigo sentir vazio e pena. Uma enorme pena de todos nós. Dos coroas filtrando o chope dentro de suas enormes barrigas, das moças e marombados feitos de lycra, dos chatos do Estação Botafogo, das minicelebridades da internet compartilhando solidão em diários insossos, da galera se esgoelando ao som da novidade de 20 anos atrás, dos velhos jornalistas e sua boêmia enlatada, dos novos jornalistas, sem sonho ou estofo, e dos jovens e velhos escritores, compulsivos, mascando palavras e mascarando vaidades. Pena dos três poderes: policiais, traficas e políticos. Pena do povo achando que não tem culpa, que não é com eles - digo, conosco.
De vez em quando, passa um filme no cinema ou ouço um disco bom. De vez em quando, gosto de levar a menina para dançar e às vezes dá para ir a um lugar que não esteja cheio de babacas. Fazemos um casal bonito e a amo como um pobre desesperado. Eu a transformei em personagem de crônica e os leitores gostam mais dela do que de mim. Pedem crônicas e mais crônicas sobre a menina triste de olhos verdes. Estão certíssimos. Eu também gosto mais dela.
Você contou que viu um cara muito parecido comigo no metrô de Londres. Pois talvez tenha sido eu. Se o encontrar de novo, diga que preciso de uma horinha comigo mesmo. Sabe quando o céu escurece, as nuvens pesam sobre as nossas cabeças, o ar e a luz do sol ficam de um jeito estranho e o pessoal fala ''vai chover pra burro''? Ando assim: quase chovendo pra burro.
Novidade mesmo acho que só o novo sistema de ar-condicionado e iluminação do Lamas. Ficou mais bonito. Resta saber se aquele odor inconfundível pós-Lamas, de cigarro e mofo, vai continuar. O perfume do Lamas é uma tradição aqui em casa. Desculpa tanta chatice, meu amigo. Acho que preciso de um tempo por aí. É verdade que na Inglaterra não existe chope gelado? Estou ficando velho cedo demais. Preciso sentir falta do chope gelado. E da paisagem. Essa cidade é muito bonita e a gente se acostuma. Na verdade, se acostuma com tudo, não é? Boa sorte por aí. Manda notícias. E não me leve a mal. Um grande abraço, JP.
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Diego Franco
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3:09 PM
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Quarta-feira, Junho 15, 2005
Onipresença
Fui ver A Queda.
Antes de começar aquela viagem alucinante pelo bunker de Hitler, com trilha sonora ININTERRUPTA das bombas soviéticas, teve dois filmes no trailer: Casa de Areia e A Incrível Vida do Steven alguma coisa - não tenho certeza de nenhum dos nomes, mas eu sei que voce sabe do que eu estou falando.
O Steven veio primeiro. É o tal do filme em que o Seu Jorge canta suas versões pra musiquinhas do Bowie. Na sequência, o trailer do filme do Andrucha Waddington traz quem atuando? Sim, ele, Seu Jorge.
Jurei que ia ver o cara metralhando nazistas.
Não rolou.
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Diego Franco
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7:27 PM
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